Terça-feira, Dezembro 01, 2009

E há tanto que se prende com tanto do que sou.

Vou-me reencontrando aos poucos e sinto-me bem...
Voltei a sentir a natureza, a deixa-la falar comigo, e voltei a conseguir ouvir-me. Paz estranha, braços estendidos, erva e vento no corpo, o som...
A vida segue ligeira, pronta a deixar cair quem se quer perder, e é tão fácil que doí, que queima! Lutar contra o que segue e segue e segue... como num rebanho!
Que bom é saber que ainda se consegue lutar!
A árvore que chama e ninguém a ouve, as centenas de vidas a que ninguém liga.
Ah este som, que fantástico! Não, não se iguala ao som do vento, mas também sabe bem, música...
Música e dança! E pintar e livros e praias e fogueiras e corpo e alma... E riscos e quadros e bolas, e o mundo todo na minha mão e a minha mão aberta para o deixar rolar porque merece ser livre!
E a imensa falta de sentido...
E a falta de palavras bonitas e a falta de frases bem feitas e a minha alma posta aqui sem sentido, sem beleza, sem falsidades... nua!


Sara Candeias.

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

Nada

Já lá vai um tempo em que eu e tu partilhávamos aqui os meus segredos, os meus pensamentos, as minhas vontades as minha emoções.
Agora penso muitas vezes em vir aqui, tenho saudades de escrever no teu fundo negro com cara de universo profundo, com cara de poço sem fundo, onde ecoam os meus gritos por qualquer coisa, ora liberdade, ora força, ora pelo passado, ora pelo presente, ora até por coisa nenhuma. As coisas têm-se alterado meu caro, desde a última vez, está um pouco diferente.
Nas minhas viagens quase diárias pelos transportes públicos, no meio de multidões tenho observado pessoas, comportamentos, ou tenho apenas lido um livro que me foi oferecido e do qual vou retirando grandes ensinamentos, não tendo ideia concreta e correndo o risco de não saber o que estou a dizer, acho que me falta uma revolução, falta-me uma mudança drástica, que possa dizer, isto é passado, consegui atingir o meu objectivo. Tenho a promessa ou pelo menos a palavra de alguém que me disse construir uma máquina do tempo para me oferecer, o protótipo está criado, a real aguardo com impaciência. E se no meio disto tudo a minha busca incessante fosse pelo passado, por construir um passado coeso, poderia encontrar felicidade nessa objectivo e torná-lo então realizável.
A faculdade começou à um mês, mudei como sabes, mas não me tenho conseguido ambientar, acho que leva o seu tempo e eu estou a ter o meu, mas não me posso descuidar, afinal há um passado para construir, assente num futuro que se tem de viver. Hoje numa aula vi um filme que se passava na Inglaterra de finais dos anos 70, início dos anos 80, já conhecia o dito filme, mas gostei de o ver novamente, o rapaz sobre quem incidia a história a certa altura chorou porque tinha saudades da mãe que morrera recentemente, emocionei-me internamente, sem expressar exteriormente, lembrei-me da minha mãe, acho que não aguentaria, não sei. É duro e foi para mim, por-me na situação dele, tentei retirar-me rapidamente mas ainda me atormentou durante alguns momentos.
Tenho falhado em algumas responsabilidades na faculdade, mas criei agora em mim uma disciplina que seguirei à risca, serei talvez o meu próprio general, não me querendo desiludir mais uma vez por falta de empenho, pois a derrota não chega a ser derrota se nos empenharmos a fundo e no fim pudermos dizer, dei tudo. Eu não tenho dado e por isso tenho sido derrotado constantemente nos últimos tempos.
É comum não mostrar com a devida clareza a minha preocupação com as pessoas que gosto, e depois levam a mal ou não me entendem como gostava que me entendessem, ou melhor eu não me faço entender como gostava de fazer, afinal, a culpa não tem que ser dos outros. Mas gostava que às vezes não me levassem a mal, apenas entendessem a minha preocupação que é sincera. É uma questão de emoções, e quando não as compreendem na verdade fico triste e desapontado comigo mesmo. Sabes, tenho sentido ultimamente que as pessoas têm sempre qualquer coisa má para dizer a meu respeito, e confesso-te que é extenuante, não penso nisto a toda a hora como é claro, mas quando o sinto, é avassalador, acho que me entendes.
O teatro mantém-se na minha vida, apesar das alterações. Não me sinto muito confiante, nem com o mesmo espírito, algo o desgastou, já não sou o mesmo e não se nota alegria nos meus olhos, pensava que ali era um porto seguro, em que todos estão e ninguém se vai embora, seria algo onde sempre estariam todos aqueles que considero parte da minha vida, mas as vicissitudes desta mesma vida e as alterações repentinas, fazem tudo virar num ápice, e com a mesma família que não hesita ajudar-me e apoiar-me a qualquer momento, sinto-me um pouco mais só. Talvez não me devesse segurar tanto, e ser mais leviano, sinceramente não sei, são coisas que sinto, talvez sem nexo, mas sinto.
Há ainda uma "Candeia" que com amor me tenta guiar, mas à qual eu fecho os olhos muitas vezes, sinto que muitas vezes não é justa comigo, mas também não o sou com ela, é assim... muitas vezes fico triste, porque também ela com toda a sua luz, ultimamente tem sempre algum sinal luminoso que significa algo mau sobre mim para dizer, mas é normal todos nós temos sempre algo mau para dizer. O importante é que com os seus sinais constantemente avisto algo bom, e só espero que possamos acertar no trilho. Pois eu não tenho sido muito boa pessoa. E a "Candeia" também precisa de apoio para o caminho.
Tenho sentido muitas coisas más ultimamente, mas falaremos depois.
Tinha saudades tuas, um abraço.

Segunda-feira, Junho 08, 2009

Rede

E a saudade de correr naquele campo com a bola nos pés e com os sonhos a borbulharem a cada passo largo, era a corrida para algo que não sabia bem o quê..mas que me deixava feliz, agora tenho saudade...e não passou assim tanto tempo.
Agora perco-me na corrida, sem vocês é mais difícil.
Continuarei com emoção a recordar aqueles nossos dias, com saudade, felicidade e uma reconfortante tristeza, pensando naqueles que já foram a minha vida.
Porque não consigo viver o presente e o futuro sem o passado, e esse passado: já não existe.

Domingo, Março 08, 2009

O primeiro dia do resto da tua vida

Aconselhável ouvir enquanto se lê, a música que os acompanhou.






Todos nós temos na nossa posse um mundo paralelo a um outro, esses mundos sendo paralelos, nunca se vão encontrar, por mais que se prolonguem. Curioso e até fascinante é quando a ordem natural das coisas é desafiada e tais mundos deixam de ser paralelos para se cruzarem num determinado ponto, num determinado dia, numa determinada hora. E tudo começa num olhar, procedido de um choque, de um sorriso desalinhado demonstrando numa tremura dos lábios em que a timidez e uma ternura se manifesta, também ela tímida, um corar espontâneo numa pele morena.
Miguel vive na Margem Sul do Tejo, tem vinte e quatro anos, estuda numa faculdade de Lisboa, mora com os pais e gosta de ouvir música. Todas as manhãs parte solitário numa viagem constante entre a Margem Sul e o centro de Lisboa. A manhã começa com um acordar atribulado, pois, levantar-se cedo nunca foi o seu forte, e, por isso, é um acordar agitado. Passa rapidamente as mãos pela cara, lava os dentes, veste-se, não tem tempo de comer, consegue antes de sair por os phones nos ouvidos, a música de hoje será: O Primeiro Dia de Sérgio Godinho.
Cláudia vive algures na Margem Sul do Tejo, tem vinte anos, estuda numa faculdade de Lisboa, mora com os pais e adora cinema. Não gosta de se levantar cedo mas é de uma pontualidade inglesa. Dirige-se para a casa de banho, passa as mãos na cara, penteia os seus longos cabelos, lava os dentes, apressadamente veste as suas roupas, mas faz uma pausa. Ao espelho põe as suas mãos sobre os seus seios, um sinal de nascença faz uma lágrima correr a sua face, sorri e diz: "um dia". Rapidamente veste as roupas, passa a correr na cozinha a tempo de pegar numa maça, põe os phones nos ouvidos, a música hoje será: O Primeiro Dia de Sérgio Godinho.
Miguel corre pelas escadas, tropeça e quase cai. A música nos seus ouvidos faz com que observe atentamente tudo o que o rodeia, respira fundo, sente-se triste, sente-se sozinho. À entrada do transporte que o ajudará a atravessar o rio, a multidão amontoa-se à espera que uma porta se abra e todos possam entrar. Levado pelo sentimento inconstante Miguel decide ficar para último, observando incrédulo, a quantidade de pessoas que se pisam e atropelam, para conseguir um lugar à janela, decide aventurar-se e penetrar na selva de gente, sempre com a música nos ouvidos: Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida... Os olhos direccionam-se para a imensidão do rio, e um pensamento o invade. Senta-se no primeiro banco, e conseguiu um lugar à janela, partiu às 8:50.
Claúdia bate a porta com violência e corre pelas escadas, chegada ao local do transporte que a levaria na travessia do rio, já tinha partido, um certo nervosismo e frustração tomam conta dela e fazem-na ir tomar café, uma das suas perdições. Calmamente ao som da música bebeu aquele gostoso café e dez minutos depois lá estava o seu transporte. Juntou-se à selva e lutou barbaramente pelo seu lugar à janela, mas não conseguiu, contentou-se com um lugar algures no centro e sem janela, no meio de dois senhores altos e feios, semelhantes a chefes da máfia na sua vestimenta. Uma sonhadora de largo sorriso, esperançada em encontrar a felicidade, que lhe ia fugindo mas em que acredita. Sempre com a música nos ouvidos: Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida... Os olhos direccionam-se para a imensidão do rio, e um pensamento a invade, partiu às 9:00.
São 9:10, Miguel pisa a outra margem e em passo apressado dirige-se para o seu caminho, vontade súbita de beber café... "Mas eu não gosto de café"... Sente necessidade de beber um café que apesar da pressa se transforma num momento de dez minutos, são 9:20, está atrasado, aquela vontade estranha mas vigorosa fá-lo desesperar e sai a correr.
São 9:20, Cláudia pisa a outra margem em passo de corrida segue no seu caminho, hoje não pára como de costume no café, afinal já o bebeu devido ao seu atraso que sem dúvida não é hábito, mas estranhamente aconteceu.
Miguel chega ao Rossio, uma grande passadeira divide os dois lados da estrada, como se de um rio se tratasse, o sinal não fecha, os carros passam e ele quer passar...
Cláudia chega ao Rossio, uma grande passadeira divide os dois lados da estrada, como se de um rio se tratasse, o sinal não fecha, os carros passam e ela quer passar...

Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida...
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida...

Miguel avista Claúdia do outro lado, Cláudia avista Miguel do outro lado.. um olhar que os petrifica mantém-nos presos de movimentos, um penetra o corpo do outro com o olhar, cada um conhece o outro pelo olhar, cada um se dá ao outro pelo olhar, cada um se despe pelo olhar. O sinal fecha mas já não interessa, tomou posição de segundo plano. Apaixonadamente hipnotizados por tamanha cumplicidade alcançada, em tão curto e distante olhar. Sensação estranha, jamais sentida, diariamente desejada.
Voltam a tomar consciência e cada um corre a tentar alcançar o outro lado, inevitável, Miguel e Cláudia chocam com violência. Os dois sorriem timidamente, olham-se nos olhos, agora de perto, nos ouvidos e sem saberem ambos ouvem: Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.
Com o choque Cláudia magoou-se e então Miguel com carinho ajuda a que se levante, e com ela se dirige para uma esplanada que existe logo ali.
Aquele foi o primeiro dia do resto das suas vidas.
Hoje passados alguns anos falámos com o Miguel, agora bem mais velho e que tal como Cláudia foi uma feliz "vitima" de um cruzamento de mundos paralelos. Sentado na sua cadeira trazida numa das suas viagens a Londres, cidade que Cláudia adorava e que visitavam quase anualmente antes do seu falecimento recente.
Encontrámos um Miguel abatido, afinal o cruzamento durou anos, mas as linhas prosseguiram. Questionámos então: Miguel como foi viver com a sua mulher?
De sorriso rasgado e como que estando a viver o que imaginava, assim respondeu:

Sabe... com ela tudo sempre foi mel.

Domingo, Março 01, 2009

A turma

A vocês companheiros daquele caminho, a vocês...
Hoje é domingo e amanha segunda-feira, não vos vou ver e certamente fará uma quantidade de anos desde a última vez em que nos juntámos na frente da porta da sala de aula, ou na frente de um qualquer campo de futebol à espera de sermos desafiados para ter o gostinho de vencer(que era o habitual) e sair do campo a rir, juntos.
O Artur que não jogava lá se mantém sentado a rir da figura do Hélder. O João Fernandes vem a refilar com todos porque ninguém lhe passa a bola, o Eduardo(um irmão) corre o campo para me dizer ao ouvido: "Nuno já sabes a jogada".
Caramba! Combinámos na primeira vez que jogámos juntos já lá vai quase uma década e ainda a fazemos quando jogamos juntos, e ainda resulta. Com o Ricardo faço uma pausa. Já fora do campo digo-lhe que vi o Rocky na noite passada, ele ri-se e começa a imitar os passos de combate do "Itallian Stallion", o pessoal ri.
As horas passam os dias acabam, nós felizes e despreocupados, efeitos de uma adolescência, que não desejamos que acabe, ou melhor, nem pensamos que vai acabar.
Nunca ninguém disse "espero que não nos separem" porque ninguém acreditou que fosse possível.. eu também nem se quer pensei nisso.
Ainda me lembro naquela tarde no café, nos anos do Artur, em que pensámos abrir todos juntos uma empresa,dessa forma juntos ficaríamos. Sonhos inconsequentes por vezes, mas nós acreditávamos.
Tenho saudades companheiros, saudades da segunda-feira dura em que regressávamos a soprar por todos os lados, mas em que nos riamos, em que cumprimentávamos as nossas raparigas e os nossos rapazes, e sim éramos nossos porque éramos uma família e gostávamos de ser, e nas famílias somos uns dos outros.
Observo de cima as nossas aventuras, as nossas façanhas as nossas desilusões, e o fascínio que criámos nos professores, nunca nos abandonámos, e em tudo havia a mão de todos. Tenho saudades vossas pessoal.
As curvas dos anos e da vida, quebraram a união que tínhamos, a união que nunca ninguém quebrou, mas a vida não falha, estava ali.
Cada um no seu lado, cada um na sua vida, cada um no seu emprego ou sua faculdade, espero que como dantes possam sentir o quanto gosto de vocês, precisava de vocês mas não vão estar sentados às oito da manhã à espera que a aula de História inicie com o Prof. França, pois, espero então que estejam onde estiverem sintam o meu abraço e o meu carinho por vocês, e vá onde for e esteja onde estiver, vocês vêm comigo, porque nunca vos esqueço.
Partilho convosco o sonho que tive durante anos: receber uma carta em casa que nos chame a todos já nas nossas vidas, para fazer um dia de aulas como fizemos no ultimo ano. Porra, como ia ficar feliz!
Sinto a vossa falta e não vos posso chamar, os gargalhadas daqueles anos ressoam na minha cabeça e aposto que em toda a escola, onde enchemos cada sitio por onde passámos.
Andreia Cardoso, Artur Silva, Bruna Braz, Carla José, Cátia Dolores, Eduardo Sobral(um irmão), Hélder Salsinha, Igor Pina, João Fernandes, Patrícia Castanheira, Paulo Silva, Ricardo Leitão, Ronisia Tavares.
Um até sempre de alguém que não vos esquece e que depois de vocês, sente um vazio enorme. Afinal o vosso lugar no meu coração, também ele é grande.


Com saudades, e amor.
Nuno Santos.

Terça-feira, Janeiro 06, 2009

Goodbye

E hoje caminhava no percurso de mais um dia, e nos ouvidos uma música de Pink Floyd








Goodbye, cruel world,
Im leaving you today.
Goodbye, goodbye, goodbye.

Goodbye all you people,
Theres nothing you can say,
To make me change my mind.
Goodbye.


Com saudades, adeus.

Sábado, Agosto 23, 2008

Bifurcações




Encontro-me então envolvido cosmicamente, numa verdade metabolicamente distorcida, insolúvel, agnosticamente desacreditada, posteriormente mentida, encriptada indignamente nos olhos que eram teus, mas que deixaram de ser, não me mintas porra.. foi só.
Era uma estrada, longa, estreita e que por ser estreita não era muito larga, tinha curvas, rectas, altos de montanha, vales de montanhas, caminhava seguro enquanto olhava o céu bonito, no céu o brilho de um olhar encontrado, olhar de saudade, olhar outrora perdido, agora encontrado, sorrio vou perdê-lo de novo, agora choro, pois agora apercebo-me de como vai ser perdê-lo, não é justo.
A história foi envolvente, entrando na estrada assustei-me e tive medo, não estava preparado e vendo a primeira curva hesitei, afinal o que estaria a seguir à curva, e era tão simples, estava outra curva, passada esse outra curva, o que estaria para lá, e foi lindo descobri uma recta em que não lhe vi o fim, nessa recta caminhei, convivendo com árvores, plantas, aves, coelhos, raposas, e outros animas. Fui-me sentido seguro e avancei sorrindo. Estrada foste tu que me envolveste, tu que me deste a tua verdade, de caminho seguro e de confiança, o tempo passou a viagem continuava nunca pensei que a seguir àquela curva, me desses uma falésia e o céu que partilhei contigo, escureceu, e tu... foste-me deixando cair.
Esta noite e não sei porque força da natureza, deste-me com uma pedra na cabeça, doeu, não o voltes a fazer, eu não te fiz mal.
Enquanto estava a cair, naquela grande falésia, pensei... ou grito e desfaço-me ou ólho para o céu e despeço-me do teu olhar, ressentido e com um bocado arrancado, olhaste-me riste e foste embora... previsível e até evidente, quem queria eu enganar? A mim mesmo...
Vou então viver esta sensação de queda provocada. Sozinho.

Parem os sinos, morreu, tragam a pá.